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Administrador

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Resolvi, no meio da tarde, sair para caminhar um pouco. Mesmo que o personal tenha passado dezenas de vídeos para fazer exercícios em casa, não consegui seguir suas orientações. Adivinha? Isso mesmo, a monumental preguiça que me persegue desde que me conheço por gente.
 
Na rua, atmosfera bem diferente dos primeiros dias de confinamento. Muitas pessoas caminhando despreocupadamente, como se não houvesse um inimigo à espreita. Isso é bom ou ruim? Vejo pelos dois lados: bom, porque houve uma histeria inicial muito forte; ruim, porque não sabemos ainda muito bem como e quando o vírus pode nos atacar.
 
Então, hoje, como o dia foi tranquilo, pretendo falar também de coisas mais amenas.
 
De início, recordado que fui por minha cunhada Zélia (a quem sempre estimei), vou relatar um fato lá dos idos da infância. Dezenas de anos atrás. Foi mais ou menos assim: um vizinho (seu Romeo), dono de uma bicicletaria, comprou um jipe – não sei se novo ou usado. Nessa época, enquanto minha mana era amiga da filha do vizinho, eu o era dos filhos.
 
Um belo dia, jipe estacionado à porta da casa deles, a menina resolveu provocar minha irmã entoando uma canção, enquanto subia e descia do veículo: “Trepim e descim... Tu não tá no jipe! Trepim e descim... Tu não tá no jipe!”. E assim foi por vários minutos. Não sei se rimos na época, mas quando a Zélia me lembrou do fato, rimos muito agora.
 
Viajemos para uma ou duas dezenas de anos depois. Na ocasião, eu havia organizado um time de futebol suíço e promovia jogos amistosos com equipes da cidade. Num desses jogos, estávamos sofrendo para fazer gols. Nosso centroavante (Jonas), ou chutava para fora ou não recebia uma boa bola. Até que o lateral (Vilmar) lançou a bola na medida para o Jonas marcar. No mesmo momento, Vilmar gritou: “Chuta, Jonas! Nem que você faz o gol!”. Foi muito engraçado. Pior é que não lembro se o gol saiu.
 
Espero que estejam gostando das sugestões de leitura. Hoje, uma bem adequada aos dias que estamos vivendo: “O alienista” (Machado de Assis). Nesse conto, o brilhante autor brasileiro relata quando um médico retorna à sua terra-natal e resolve se dedicar aos estudos da psiquiatria. Então, constrói na cidade um manicômio para abrigar todos os loucos da cidade e região. Em pouco tempo, o local fica cheio. O alienista, percebendo que sua teoria estava errada, resolve libertar todos os internos e refazer sua teoria: como ninguém tinha uma personalidade perfeita, exceto ele próprio, o alienista conclui ser o único anormal e decide trancar-se sozinho na Casa Verde para o resto de sua vida.
 
Estes tempos também fazem aflorar paixões! Boa noite a todos!
 
Amanheci muito indisposto. Na noite anterior, degustei uma pizza indigesta. Resultado: péssima madrugada, com poucos intervalos de sono verdadeiro. Muito mal-estar e muita dispepsia.
Assim, passei boa parte do dia de hoje estirado na cama, tentando recuperar-me e “matutando” sobre o Coronavírus. Para falar a verdade, não sei vocês, mas eu já estou de “saco cheio” com esse vírus. Já que a vacina curadora ainda parece distante, por que ele não resolve sumir de vez? Difícil responder isso agora...
 
Além disso, refleti muito sobre duas palavras que têm “martelado” minha mente nos últimos 23 dias. Trata-se de “desarmar-se” e “amar-se”. Na verdade, dois verbos com pronominais acompanhando-os.
 
Sobre “desarmar-se”, a reflexão não reside na acepção nata da palavra (basicamente, desprover de algum armamento), mas sim na ideia de que é necessário desarmar-se de falsos conceitos, falsas hipóteses, pré-julgamentos e pré-conceitos. Nesse sentido, nas (acredito) centenas de pessoas com quem conversei nos últimos dias, parece, em muitas delas, que é preciso estar “armado” de argumentos ferozes a todo o momento. Exemplifico: “Eu (o outro) tenho total razão sobre o que falo para você (eu)”. E, aí, entra-se num campo perigoso, no qual as ideias de um querem se sobrepor às ideias do outro na base da força, da “marra”.
 
Então, vejo que precisamos pensar nos meios-termos, respeitando as diferenças de “x” e “y”, seja nos campos político, religioso, esportivo, racial ou sexual. Necessitamos, como bem orientam o mestre Elino e a doutora Vanessa, ouvir mais, sem pré-julgamentos de que o pensamento alheio é errado, não vale nada. Às vezes, um difícil exercício esse.
 
E em relação ao “amar-se”, acredito que precisa ser a tônica de nossos relacionamentos atuais e futuros. Antes do vírus, “parecia” haver muito desamor no mundo. Agora, também “parece” haver mais amor. Mas isso será a realidade pós-pandemia? Desculpem, mas tenho minhas dúvidas. E, na dúvida, acredito que precisamos exercitar mais o sentido de humanidade, a fraternidade, a solidariedade, o respeito ao outro, entre tantos outros aspectos positivos da têmpera humana.
 
Para finalizar, uma sugestão de leitura muito legal: “Max e os felinos” (Moacyr Scliar). A obra, que trata de um jovem e seu relacionamento com alguns animais, todos a bordo de um pequeno barco após um naufrágio, foi infelizmente plagiada por um escritor indiano que criou “As aventuras de Pi”, sucesso cinematográfico de alguns anos passados.
 
Vamos com fé! Boa noite a todos!
 
Cada vez se torna mais agradável poder conversar com as pessoas. Sinal dos novos tempos... É claro que, com o dito isolamento social (aliás, palavras muito bonitas), precisamos tomar uma série de precauções. Ainda bem que não chegamos aos tempos dos filmes de ficção científica, em as pessoas precisam vestir muitos trajes especiais para se aproximarem de alguém “contaminado”. Mas é de se duvidar que esses dias poderão chegar?
 
Pois bem, hoje, depois de conversar longamente com uma jovem cientista, não duvido de mais nada. Por um acaso do destino (acreditam nisso?), encontrei-a na rua. Muito jovem e recém-formada em Harvard, recomendou-me, já de saída, manter o protocolo Covid-19 de ficar a uma distância prudente – acredito que ficamos a mais de 1,5 metro de distância um do outro.
Sempre a admirei muito, não só por ser jovem e bela, mas pela sua arguta capacidade de argumentação. Conheço-a há quase 12 longos anos. Além disso, quem, em sã consciência, nos “tempos sombrios” em que vivemos, duvidaria das palavras de uma cientista? Eu é que não...
 
Depois do formalismo dos cumprimentos, deixei a palavra com ela – digo e repito: não me considero à altura dos conhecimentos técnicos de uma pessoa do calibre dela.
 
Minha amiga confirmou, em breves minutos, tudo o que a mídia (representada por infectologistas, médicos e cientistas, de renome ou não) já havia me “metralhado”: cuidados com a higiene das mãos, não tocar nas pessoas, evitar sair de casa sem necessidade comprovada e por aí vai.
 
Não retruquei, nem contestei nada; concordo com tudo, inclusive seus insistentes pedidos para que eu não me aproximasse dela. Afinal, eu poderia contaminá-la, ou ser contaminado por ela.
 
Quis quase reprimi-la no momento em que se queixou do que os professores (inclusive eu!) estamos “ensinando” nas escolas. Olha que reflexão interessante: por que um aluno precisa saber sobre células se não vai ser um futuro médico ou cientista? Fiquei pasmo com esse argumento, pois, nessa hora até contra-ataquei: todas as disciplinas escolares, e todos os seus respectivos conteúdos/saberes, são importantes para a formação de todas as pessoas. Não a convenci... Paciência!
 
Terminada a preleção, chegou a hora da despedida (triste para mim, não para ela, pela jovialidade que sempre a caracterizou e caracterizará, como ser iluminado que é). Quis, pelo menos, um toque de punhos (à moda dos jovens), ao que ela recusou e sugeriu, prudentemente, apenas tocar nossos calçados um no outro. Que decepção, pra quem esperava um terno abraço e um beijo na face. Novamente, paciência com a jovem cientista! Ela é, não tenho dúvidas, o futuro da nação!
 
Para os mais curiosos, cabe, então, esclarecimentos. A “jovem cientista” está recém cursando o ensino fundamental, fim de ano completa seus 12 anos, seu nome (com muito orgulho!) é Marina Vitória, e ela atende por minha filha. Nossa conversa ocorreu à porta da casa dela.
 
Boa noite a todos!
 
A volta às atividades, mesmo que de forma “remota”, parece proporcionar um pouco de alento no cenário de caos em que vivemos. Novamente, dediquei uma parte do dia a preparar atividades para os alunos e a estar disponível para atendê-los em suas dúvidas – tarefa que é bem interessante pela multiplicidade de personalidades que os caracteriza: há os tranquilos, os ansiosos e os muito ansiosos!
 
Pensei em hoje, no Diário, tratar não do passado, nem do futuro, mas sim do presente. Isso porque já faz cerca de um mês que não realizo uma atividade que me proporciona um prazer indescritível e confessável. Isso mesmo: confessável, para as chamadas “mentes poluídas” não pensarem em besteiras nesta hora...
 
Quero falar somente do prazer que me proporciona beber uma boa xícara de café na panificadora de meu amigo. Costumeiramente, saía do trabalho e, ato contínuo, dirigia-me ao estabelecimento. Chegando lá, pela amizade com as atendentes, já pedia uma boa xícara de café, geralmente acompanhada por uma fatia de bolo ou algum salgado (perdoem-me, pela verdade, caros Rafa e Índio – meus “personais”).
 
Esse momento, para um bom amante do café – produto genuinamente nosso – é indescritível. Nunca fui fá de drogas, lícitas ou ilícitas, mas acredito que a sensação deva ser semelhante.
Além disso, estar em um ambiente legal, relaxando por alguns minutos, pelo menos para mim, é verdadeiramente rejuvenescedor. Sempre fui fã de café, mas não esse bebido em casa, e sim aquele sorvido, aos pequenos goles, fora de casa. Minha prima Paula, de “Casias”, compartilha desse gosto comigo.
 
Fora isso, mantive poucos contatos com outras pessoas hoje. Nada de TV, o que tem sido a tônica dos últimos dias (ainda bem!), e pouca net.
 
Há, conversei, por cerca de meia hora, com meu amigo de longa data, Elton. Ambos preocupados com a escalada de mortes pelo vírus no Brasil. Mas, talvez, mais ainda apreensivos com os rumos da vida humana nos próximos tempos. Afinal, como todos parecem saber, mesmo não sendo cientistas de “talha”, o dito vírus gosta dos tempos frios – algo que, aos poucos, está chegando ao nosso querido Sul. Em tempos: o Elton também pediu para escrever menos linhas no Diário – “se não, é muito cansativo de ler!”...
 
Como serão os dias vindouros? Na verdade, ninguém sabe com certeza como tudo ficará. Ao lado de centenas de pessimistas, há outras centenas confiantes de que vivemos um período conturbado, mas com data (ainda incerta) de finalização. Prefiro, pela nova forma como conduzo minha vida há cerca de um ano, acreditar em bons tempos, mesmo que as previsões sejam alarmantes.
 
Não gostaria de terminar hoje sem sugerir mais uma leitura legal. Trata-se de “Precisamos falar sobre o Kevin” (Lionel Shriver), sobre a mãe de um psicopata juvenil e suas cartas ao filho na prisão.
 
Boa noite a todos!
Hoje, o dia prometia muito. Depois de quase duas semanas “inerte” no trabalho, precisei organizar materiais para meus alunos estudarem em casa. Puxa livro daqui, retira livro dali, selecionei as atividades primeiramente para os “pequenos” – 7º e 8º anos –, conforme combinado com a direção da escola e colegas professores.
 
Confesso que, diferente do que originalmente pensava, foi uma tarefa até divertida e instrutiva. Tanto que, nesse momento em que “arquitetava” as atividades para eles, relembrei da minha longínqua fase de criança, lá pelos sete ou oito anos, na saudosa São Miguel do Oeste.
 
Naquela época, como estava no chamado “primário”, estudava à tarde. Assim, a manhã era reservada para brincar e fazer tarefas escolares. A aula era das 13h15 às 17h15 (por aí, não recordo bem). Depois, correr para casa (eu morava a apenas algumas quadras da escola) e ficar vidrado em frente à TV para assistir ao “Sítio do picapau amarelo”, baseado na fantástica obra do genial Monteiro Lobato.
 
Desse tempo, lembro que eu era uma criança muito inocente e inventiva (como eram os infantes, de um modo geral, da época), com muitos amigos para brincar das mais variadas formas: “bangue-bangue”, esconde-esconde, pega-pega, carrinhos, casa na árvore, entre mil outras brincadeiras não tecnológicas. Aliás, a única tecnologia disponível naqueles idos tempos era a televisão.
 
Vou contar um episódio inusitado que ocorreu comigo naquele tempo. Era muito comum acontecer os chamados “círculos bíblicos” católicos – basicamente, sessões que reuniam idosos, adultos e crianças para rezar, seguindo um protocolo (quase uma missa, mas sem padre). Bendito protocolo! Pois bem, em um desses círculos, na casa da Dona Norma (não tenho certeza), estávamos reunidos em torno de umas 20 pessoas. Tudo transcorria bem, até que chegou a hora das preces... Um orava pela família, outro pela paz no mundo (mesmo naquela época, já clamávamos por paz), até que o bendito aqui resolveu dizer “para que o mundo não acabe”! Risos gerais, sem disfarce algum. E eu, na maior vergonha, pensando: “será que é errado desejar que o mundo não acabe???”
 
Tempos depois, agora já no “ginásio” e estudando pela manhã, identificava-me muito com a disciplina de História. Caçoávamos (em segredo, é claro) da professora da matéria, que dizia “cousa” no lugar de coisa. Nesse tempo, fiz novas amizades. Assim, um dia, estava brincando na casa do Gelson. Acho que estávamos sem muitas ideias, quando alguém resolveu brincar com álcool e fósforo. O resultado: quase colocamos fogo na casa dele! Tivemos oportunidade de relembrar esse fato no janeiro passado, quando o visitei em Barra Velha.
 
A verdade é que esses “dias sombrios” nos possibilitam rememorar muito do passado. Afinal, como já disse outro dia, logo os afazeres domésticos terminam, e me parece ser muito mais salutar reviver momentos (bons ou maus) do que ficar em frente à TV fazendo estatísticas de mortos.
 
De minha infância, guardo só boas recordações. A juventude foi mais conturbada, mas isso é história para outro dia...
 
Boa noite a todos!
 
Daqui a algumas décadas, quando contarmos para as futuras gerações que ficamos mais de dez dias confinados (a maioria em seu próprio “bunker”), provavelmente muitos não acreditarão, acharão que é uma fabulação de nossa desvairada cabeça.
 
A verdade é que esse dito isolamento social também nos permite criar, trabalhando no chamado “home office”, e por aí vai. Até possibilita que falemos muito mais com outras pessoas, situação que talvez não acontecesse se tivéssemos possibilidade de visitá-las em suas próprias casas.
 
Pois, então, hoje conversei longamente com minha querida prima Janaína, filha de minha amada tia Maria, do Paraguai. A prima, nessa conversa via Messenger (é cada tecnologia utilizada para falar a distância!), contou das aflições que estão vivendo no país vizinho.
 
Disse ela que seus dois filhos – um adolescente e o outro criança ainda – estão ficando depressivos com a pandemia. Não podem sair de casa, nem visitar os amigos. O adolescente, inclusive, não pode passear de moto, algo que muito gosta(va) de fazer.
 
No Paraguai, como pra cá das águas do rio Paraná, a situação de isolamento é semelhante: abertos farmácias, mercados e postos de combustíveis; restante tudo fechado; recomendação expressa para os idosos não saírem às ruas (inclusive com cobrança de multa pesada caso alguém for pego fora de casa); e toque de recolher geral a partir de um certo horário da noite.
Confidenciei à prima que praticamente todo mundo será atingido de alguma forma pelo vírus – seja em termos de saúde física, seja em termos de saúde psicológica. Ninguém está imune. Por outro lado, procurei transmitir a ela confiança de que a situação crítica, os ditos “tempos sombrios”, é provisória. Assim, mais cedo, ou mais tarde, estaremos de volta a nossa pacata vida “normal”.
 
Novidade boa de hoje: comecei a preparar as aulas on-line pros meus aluninhos. Dificuldade daqui, dificuldade dali com as tecnologias, contei com a ajuda prestimosa e inestimável de meus dois queridos sobrinhos: Karoline (que reside em Floripa) e Ednei Júnior (que reside na Alemanha). Aos dois, dedico o Diário de hoje!
 
Encerrando nossa reflexão de hoje (e sobre hoje), sugiro uma nova boa leitura. Já faz alguns anos, li o excelente “Garota exemplar” (Gillian Flynn), suspense envolvendo um casal, em que o homem é culpado por todos pelo sumiço da mulher.
 
Em tempo: minha querida sobrinha Kó (como a chamo carinhosamente), obtemperou que o Diário, em sua edição diária (cacofonia?), está muito extenso. Recomendou-me reduzir a quantidade de linhas, ao que acordo aqui.
 
Boa noite a todos!
Noite passada, tive um sonho muito revelador. Tanto que passei o dia inteiro de hoje pensando nele.
 
Fui dormir relativamente cedo (aí pelas 23h30, pois, depois que foi anunciada a pandemia, tenho dormido geralmente depois da uma hora da manhã), mas demorei muito a pegar no sono. A ansiedade parece mais forte em dias como os que estamos vivendo. Agarra-se ferrenhamente ao nosso ser e não nos deixa pensar com razão.
 
Sei lá que horas poderiam ser, talvez alto da madrugada, quando começou o dito sonho. Inicialmente, eu parecia estar numa cidade arrasada (não sei pelo que), uma mistura de São Miguel do Oeste (minha cidade natal) com Xanxerê (onde resido atualmente).
 
Olhando para os lados e não vendo “viva alma” – humana ou animal – comecei a pensar que lugar seria aquele. Não demorou muito tempo e escutei um barulho ao longe, que vinha se aproximando de mim. De repente, alguém chamou meu nome. Olhei para todos os cantos e não vi ninguém... Estaria delirando? Febre?
 
Olhando com mais calma, um sujeito enorme, todo de branco, surgiu a minha frente. Ele era muito alto (devia ter uns dois metros) e portava um grande par de asas! Um anjo celestial, daqueles que a bíblia narra com desenvoltura, estava em meu sonho! Não sei como nem por quê...
 
“Ulisses”, chamou novamente com uma voz triunfante. Respondi com um “sim” tímido e titubeante. “Venha comigo, pois preciso te mostrar algo”, falou. Assim, em questão de segundos (na velocidade de um sonho), estávamos em outro lugar, agora com várias crianças brincando felizes num campo de grama, em um dia muito ensolarado.
 
Ele apontou para uma delas e disse: “aquele é você. Bem diferente de hoje, uma criança vivaz e despreocupada”. Quase quis retrucar: “e qual criança não é assim?”. Ao longe, vi adultos, parecidos com meus pais quando mais jovens, que conversavam amistosamente.
 
A cena foi muito rápida. De repente, já estávamos em outro cenário. Esse, muito lúgubre e escuro. No local, apenas um velho caminhava pesadamente, ar cansado e olhar desesperançado. Em tudo que ele tocava, desvanecia no ar. Diferente do outro, não havia mais ninguém próximo. “Também é você. Velho e sem confiança, esperando a morte chegar!”, bradou o anjo. Um arrepio gelado percorreu minha espinha de ponta a ponta.
 
Do nada, estávamos de volta à cena inicial. Antes de desaparecer como que por mágica, o anjo perguntou o que eu estava fazendo hoje para estar tão distante de quando eu era criança e tão próximo de um velho decrépito? Fiquei mudo, não tinha como retrucar.
 
Claro que isso tudo não passou de um sonho diferente, um pouco assustador. Sempre fui atraído pelos mistérios por trás dos sonhos, conseguir interpretá-los com maestria, para que sejam definitivamente elucidados.
 
Esse, porém, não consigo decifrar totalmente. Sei que não sou um sujeito “iluminado”, que os céus escolheram para uma mensagem fatal. Ao contrário, sou um cidadão comum, mero mortal que se preocupa mais em pagar as contas do mês e ter um pouco de saúde.
 
Então, penso que o sonho é uma espécie de automensagem para que, a partir de um acontecimento grandioso (a pandemia), eu reflita sobre minhas pequenas ações diárias. Para que eu possa agir de forma mais humana e solidária, pensando em não tornar-me futuramente um velho cansado e desesperançado, como a figura que o ser alado me mostrou.
 
Vou começar a refletir sobre isso a partir de agora.
 
Boa noite a todos!
Você tem vontade de acordar todos os dias e sair para trabalhar? O que te move a despertar e encarar mais um dia? São teus projetos futuros que te tiram da letargia? Essas três indagações acordaram comigo hoje.
 
Depois de muitos dias refletindo sobre acontecimentos – bons e maus – do passado, pensei em hoje fazer um exercício de “futurologia”. Essa palavra aparece com muita frequência na net e significa, basicamente, pensarmos em como será o futuro – nosso e de todo mundo, quando possível.
 
Então, pensei em o que pretendo fazer da vida (parece dramático falar assim, não?) após essa pandemia passar e a ordem ser restituída no universo. Rio um pouco. O motivo: esses dias, um médico falava na net que o Coronavírus havia aparecido na China e se espalhado para o universo... Calma, doutor! Acho que, por enquanto, ele só está no planeta Terra.
 
Como meu primeiro plano, pretendo visitar os meus velhos amigos (e também amigos velhos!) e reatar nosso relacionamento “presencial”. Voltar a beber aquele gostoso chopp gelado, sentado numa mesa de bar, “jogando” conversa fora. Existe melhor coisa do que isso? Cada um pense em seu caso...
 
Depois, quero passar um bom final de semana com minha filha (a dita Justiça humana só me permite assim), fazendo nossas “aventuras” (como ela bem denomina) preferidas: shopping, um bom filme e um lanche (McFeliz de preferência).
 
Prosseguindo (não se preocupem, a lista não é tão grande assim!), quero voltar às atividades da academia, das quais sinto muitas saudades (verdade, Índio e Rafa!). Sempre fui adepto dos exercícios físicos – parece que, eles, a minha “monumental” preguiça não consegue atingir. Além disso, tenho recomendações médicas expressas pra não ficar parado.
 
Em quarto lugar, pretendo visitar minha amada mãe e discutir filosoficamente (como sempre é com ela) os destinos da vida e da frágil raça humana. Quem conhece a Dona Antonieta sabe que ela adora conversar sobre isso! Passar uns dias com minha “velhinha” vai recuperar minha parte emocional, com certeza.
 
Fim da lista: programar (porque certamente não estarei em condições de fazer isso logo) uma grande viagem. Aliás, sobre isso, minha filha cobrou-me de levá-la a Paris um dia. Vou fazer isso, mas, como expliquei a ela, é bom a Marina “crescer” mais, pois assim aproveitará melhor o grande passeio.
 
E vocês, já fizeram sua lista de projetos pós-pandemia? Façam, vale a pena, até para desviar um pouco o pensamento que nos conduz nestes “dias sombrios”.
 
Fechando hoje, penso que, cada dia é um dia a menos de reclusão. Creio, com muita fé, que logo estaremos de volta à liberdade plena, ao pleno exercício do ir e vir. Afinal, sábia como é nossa raça, deverá encontrar uma solução para “detonar” de vez com esse vírus.
 
Boa noite a todos!
Em tempo: ontem, uma pessoa que muito admiro elogiou meu texto. Como se diz "no popular", ganhei o dia!
A cada dia que passa, a angústia se intensifica e parece ir dominando todo o ser. Hoje, completam-se 16 longos dias de confinamento. E, ao que tudo indica, o prazo deve se prolongar. Mesmo que cada um se envolva nas mais diversas atividades possíveis, chega um momento em que tudo satura: seja arrumar alguma coisa na casa, seja assistir a filmes, seja ler e até “hibernar”.
Parece que este “tempo sombrio” (vou atenuar um pouco, utilizando o singular) só serve realmente para fazer boas análises da vida (tipo: aqui acertei, ali errei, acolá fiz quase certo...) e algumas divagações. Além, também, de permitir recordar de momentos divertidos ou tristes do passado. Prefiro os divertidos, pois, como diz o filósofo (novamente não recordo o nome...), lembranças ruins são para serem enterradas definitivamente.
Pois bem (estou usando muita essa expressão; está até virando uma “muleta linguística”), vamos então relembrar momentos divertidos de um tempo não tão longínquo de minha carreira de professor no ensino superior. Vou organizar essas lembranças em três atos, envolvendo diferentes atores, em diversos períodos de tempo.
 
Ato 1: transcorria uma prova (confesso que relativamente “fácil” – nunca soube fazer provas difíceis), em uma das turmas do curso de Pedagogia. Todos concentrados, e eu passava pelas carteiras, observando cuidadosamente todos, no intuito de evitar colas. De repente, ao passar por uma jovem, vi que ela estava com a testa franzida, demonstrando muita raiva. Curioso, resolvi indagar a ela o que estava acontecendo. Sua resposta foi muito objetiva e seca: “espero nunca mais ser tua aluna!”. Passado o choque inicial, resolvi responder a ela com um bom “humor” sarcástico: “e eu, espero nunca mais ser teu professor...”. Ambos rimos em seguida, sorrisos de cumplicidade. Fecha o pano.
 
Ato 2: em uma turma do curso de Administração, havia um jovem que gostava de conversar muito – para ele, ato normal; para mim, transgressão de regra e incomodação. Um certo dia, ao finalizar a aula, chamei-o para conversar. Eu estava sentado na cadeira “magistral” e ele em uma outra. Afirmei: “preciso que você pare de conversar tanto. A turma tem reclamado das tuas atitudes”. De bate-pronto, ele retorquiu: “sabe, professor, que a turma também tem reclamado muito do senhor para mim?”.
 
Segurei o riso, pois nunca esperava uma resposta daquelas... Fecha o pano.
 
Ato 3: quase final das aulas da noite no curso de Educação Física; faltavam uns 15 minutos para acabar. De repente, do final da sala, um aluno levanta e se dirige à porta, mochila a tiracolo. Imediatamente, perguntei a ele para onde ia. Respondeu que estava indo embora. Contra-argumento: “se você for agora, terá duas faltas”. Entre surpreso e assustado, ele respondeu: “então, acho que vou ficar”, e voltou em direção a sua classe.
 
Não lembro se houve risadas dos colegas, mas deve ter havido, pois a cara de susto dele ficou muito evidente.
Bom, todos esses personagens são reais e, após os acontecidos, nos tornamos bons amigos. Enfim, meus anos de professor de ensino superior tiveram seus “altos e baixos” (mais baixos do que altos, confesso), mas que me proporcionaram bons aprendizados.
 
Aprendizado sinto ser a palavra-chave do momento. Aprendermos a suplantar um momento de muita incerteza e angústia; aprendermos a viver em comunidade; aprendermos a exercitar mais a compaixão e o cuidado com o outro. Portanto, muitos e diferentes aprendizados esperam pela raça humana após esse período conturbado. A nós espera-se que estejamos dispostos a ouvi-los.
 
Boa noite a todos!
Mais um dia rotineiro, ao que tudo indicava. Meu pequeno apê já está cansado de minha presença diuturna junto a ele. Se tínhamos alguma dificuldade de relacionamento, ela foi sanada por completo com essa Pandemia. Posso até dizer que agora convivemos tranquilamente, mesmo porque sempre procuramos nos respeitar. (Acho que estou ficando maluco ao escrever isso!).
 
De diferente, precisei ir cedo ao banco para resolver uma questão financeira. Pra falar a verdade, nunca confiei em fazer negócios por Internet... Saída rápida, como manda o “protocolo Covid-19”. Lá, poucos clientes, a maioria repetindo o “ritual”: desinfecta as mãos, utiliza o terminal e volta a desinfectar as mãos.
 
Depois, já em casa, participei de uma reunião on-line com os colegas da escola – queridos(as), que saudade de vê-los pessoalmente e bater um bom papo sobre questões pedagógicas e filosóficas!
 
O que me restou do dia, resolvi utilizar analisando os dois experimentos sociais que levei a cabo após o início da Pandemia. Portanto, sem TV hoje! Pois bem, um dos experimentos é este Diário, que muitos leitores me agraciam com sua leitura, e o outro, bem, muitos podem pensar que “pirei”, mas como contarei logo abaixo, bem assim levei-o a cabo.
 
Sem delongas: no dia 19 de março, “curtindo” o primeiro dia de confinamento, tive uma ideia fenomenal, que culminou no dito primeiro experimento social. Inicialmente, selecionei cerca de 50 candidatos a participantes. Depois, redigi cuidadosamente um “pequeno convite” a ser enviado a cada um deles. Era algo bem direto: “Tudo bem contigo? Não tenho onde almoçar a partir de amanhã. Posso almoçar na tua casa?”
 
Todos curiosos com as respostas, não é? E eu também estava. Bom, dos 50, tive cinco respostas positivas. Dos 45 restantes, diversas justificativas, inclusive de que não poderiam me receber devido ao isolamento social, o que é compreensível.
 
Vejam bem: analisando agora o que já fiz naquele mesmo dia, não me cabe julgar quem foi sincero ou não. As razões de cada um são suas. O que quero observar é que os cinco disseram que ficariam muito contentes em me receber, e demonstraram isso em suas falas, mesmo que estivessem cometendo um “pequeno crime” em receber alguém, naquele momento crítico, que não fazia parte de seu círculo familiar. Novamente afirmo que meu objetivo não é julgar as razões dos outros 45, mas fiquei muito feliz com o acolhimento da minoria – sentir-se acolhido é, possivelmente, um dos momentos de maior felicidade do ser humano.
 
Essa conta acima também perpassa a análise que agora faço do segundo experimento. Como bem observou minha mãe em uma de nossas conversas diárias, produzir este Diário está sendo uma espécie de catarse para mim. Com isso, e como sempre gostei de estatística, vejo que gostaria de ter mais leitores do que atualmente tenho. Por outro lado, em uma das “edições” do Diário, convidei muita gente a lê-lo – nessa oportunidade, houve quase 100 curtidas. Ontem, convidei um que outro, e as curtidas caíram pela metade. Necessidade de ter aprovação? Pode ser. Ego? Também pode ser, mas, talvez acima de tudo, está a mensagem que o Diário quer trazer a todos – e isso (há meu caro amigo Jeferson, me perdoe!) não cabe ainda contar hoje!
 
Concluindo, tomo a liberdade de sugerir mais uma leitura para estes “tempos sombrios”: “Ensaio sobre a cegueira” (José Saramago). Nessa obra, o brilhante escritor português “brinca” com uma pandemia que deixa quase todas as pessoas cegas. Os poucos que veem serão capazes de conduzir a humanidade? Leiam lá e descubram o que Saramago quer nos alertar.
Uma boa noite a todos!
 

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