Ser mãe nos dias atuais (crônica)

Mai 09, 2021

Ser mãe, hoje, é nascer a cada dia (de novo e de novo): a cada dúvida, a cada pergunta, a cada resposta. É permitir o transcender do mais profundo, do mais oculto de nosso ser, as mais complexas habilidades, para, assim, driblar cada obstáculo imposto pela sociedade moderna.

É, então, minuciosamente, deixar-se oscilar de um extremo a outro, sabendo que, irreversivelmente, de cada atitude, podem ser gerados resultados brilhantes, como também inevitáveis fracassos. Com isso, torna-se um desafio diário e, ao mesmo tempo, uma necessidade extrema regredir no tempo, tentando buscar, em tudo já vivido, sabedoria para podermos, cautelosamente, confrontarmos com as informações desenfreadas que chegam e atropelam a “formação” ainda precoce de nossos filhos. Isso exige de nós atitudes assertivas – embora, inevitavelmente, frequentemente falhas.

Ser mãe, portanto, é ir do amor incondicional que habita em nós, que em nada permite o não zelar por quem mais amamos, à frieza incalculável que, em nome desse mesmo cuidado (desse mesmo amor), excede nossos limites, fazendo-nos ir além de nosso instinto, para determinar o ponto exato de onde ceder ou permitir, ainda que isso, por momentos, venha a fazer com que não tenhamos total aprovação. “Não hoje!”, “tudo bem!”, compreensível.

Então, ela, aquela coragem que, lá no início, nos fez despojar de tudo o que nosso interno julgava desafio, até conseguir acertar a temperatura das primeiras mamadeiras, é a mesma que nos convida hoje – e agora, e por todos os dias que vierem – a vencer cada desafio vindo do externo, e que, portanto, não controlamos como aqueles que do interno controlávamos.

Concluo aqui, trazendo à tona a bela frase do grande escritor Guimarães Rosa, na qual, com brilhantismo, ele afirma que “a vida pede coragem”!

* texto de autoria de Lucilene Aparecida dos Santos, secretária que reside em Guarapuava (PR)

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